A nossa terra

«AREA PETRINA»

Eira Pedrinha, que deriva do vocábulo latino “area petrina” que significa eira feita de pedra, é uma pequena aldeia do concelho de Condeixa-a-Nova, que dista cerca de 12km da cidade de Coimbra, capital do distrito a que pertence. Localiza-se num vale cavado entre dois morros, onde os seus solos são bastante férteis, características aproveitadas pelos primeiros habitantes, que se dedicaram desde cedo ao cultivo de excelentes e variados produtos hortícolas.

Actualmente os terrenos de Eira Pedrinha continuam a criar produtos hortícolas de excelente qualidade, agora com mais variedade e quantidade.

A abundância de água permitiu que na aldeia florescesse uma forte indústria de moagem.

Ao longo do ribeiro que percorre a aldeia chegaram a estar em laboração cerca de 19 moinhos, de onde partiam, ao romper do dia, os moleiros montados nas suas carroças puxadas por animais.

Na aldeia, existe uma capela dedicada à padroeira, Nossa Senhora da Piedade, que se venera a 2 de Fevereiro, que possui um interessante e valioso retábulo em pedra de Ançã, representando São Jorge a lutar com um dragão.

TRADIÇÕES E HISTÓRIAS DA NOSSA ALDEIA

NOVENA À SENHORA DA PIEDADE

A novena é uma tradição da nossa aldeia com mais de 150 anos. Como o nome “novena” indica, são 9 dias de oração dedicados à Senhora da Piedade, padroeira da aldeia. Inicia-se no dia 24 de Janeiro e termina a 1 de Fevereiro, com a duração de uma hora e trinta minutos. Durante esse tempo é rezado o Terço e cantam-se cânticos em louvor da Virgem Maria. No fim do terço, lê-se a cada dia, uma prática que conta a vida de Jesus e Maria desde a Anunciação até à Ascensão de Jesus Cristo.

CANTAR ÀS ALMAS

Nos dois primeiros domingos da Quaresma, um grupo de homens de Eira Pedrinha percorria, não só a aldeia, como vários lugares da freguesia, num peditório de esmolas que depois eram entregues ao pároco para dizer missas pelas almas.

O grupo era depois dividido em dois, ficando cada um num determinado local da povoação, de modo que não se vissem um ao outro, mas que se ouvissem, pois cantavam as quadras de modo alternado. Cantavam versos pela salvação das almas.

FESTA EM HONRA DE NOSSA SENHORA DA PIEDADE

A festa em honra da padroeira realiza-se no dia 2 de Fevereiro, com missa e procissão pelas ruas da aldeia, com os andores enfeitados de flores e as bandeiras com imagens da Sra. da Piedade, da Sra. de Fátima, São Jorge e Santo António, transportadas pelos mordomos da Festa do ano seguinte. No dia 3 de Fevereiro, após uma outra missa, faz-se uma procissão em que as bandeiras são levadas da capela para casa de um dos mordomos, onde as suas mulheres estão para as receber. A população que constitui a procissão junta-se nessa dita casa, onde é distribuída jeropiga, vinho, tremoços e bolos. Esta é uma tradição que se mantém nos nossos dias, sabendo que antes era distribuído apenas vinho e tremoços.

HISTÓRIA DO MÊS

ROMARIA À SENHORA DO CÍRCULO

Na Romaria da Senhora do Círculo não havia danças, era só festa religiosa. A gente ia à Senhora do Círculo por promessas. (…) só depois na Arrifana quando a gente vinha para baixo é que estava lá o toque a tocar e a gente dançava. Em anos de grande seca, iam de Eira Pedrinha em procissão com as bandeiras, o povo todo, a fazer preces à Senhora do Círculo para mandar chuva. Como nos conta a Ti Celeste Paulo, uma vez aconteceu com o seu sogro: Eles foram pra cima, prá Senhora do Círculo e ‘tava tudo sequinho, sequinho. Uma miséria. E ele vai assim: – ‘Vão andado que eu vou ali às Areias [pinhal das Areias] ver o pinhal e ‘opois já lá bou ter’. Ia já ele ao meio da ladeira quando s’armou uma treboada que só indo ber. Eles ‘tavam já lá em cima quando o meu sogro chigou lá todo molhadinho, todo com’um pintainho. O chapéu preto tingiu-lhe a camisa branca e a cara toda preta. Quando entrou p’ra dentro da capela, o povo começou todo a arredar dele porque ‘tava a escorrer água e todo preto”.

Recolhido em Eira Pedrinha, junto de Celeste Paulo em Julho de 2016.

EM DESTAQUE

  • Etnografia

    O traje da mulher do início do século XX, final do século XIX era composto por saia e blusa, roupa interior e avental (quase sempre). Usavam sempre brincos e, na cabeça, sempre lenço (salvo raras exceções).

  • Festival

    O festival realiza-se todos os anos, normalmente em Agosto, nas instalações da Comissão de Melhoramentos de Eira Pedrinha. A par do festival, realiza-se também nesse fim-de-semana um outro evento cujo tema pode variar de ano para ano.

  • Museu

    Ao longo dos anos foi crescendo o sonho e o desejo de possuirmos um espaço onde pudessem ser guardados e expostos os muitos objetos que sabíamos existirem em muitas casas da nossa aldeia, testemunhos de um tempo há muito passado e cujos proprietários se dispunham a ceder.